O registro de meu nascimento, por sorte ou lapso, reafirmou o oxímoro que é próprio de quem é estrangeiro: nasci em sete de julho de mil novecentos e quarenta e sete, mas um ano foi adiantado, como também um mês. Para caracterizar este desgarramento involuntário de mim mesmo, substituí o “i” de meu nome por “y”, morte voluntária, letra mais adequada para simbolizar meu estar entre o remissivo e o prospectivo – na intersecção de três caminhos: da arte, da filosofia e da ciência. A eutanásia de meu nome talvez tenha sido o primeiro exercício de moção pessoal, redução de um problema a outro que em meu infantilismo perdido antes do tempo já dava sinais do mais completo sadismo por anabiose, apagogia e acendro. Minha propensão para acreditar vinha do exterior, sobretudo das cinzas, com as quais esfregava o corpo e cobria o rosto para desacreditar.